Quando me deixares
Eu me deixarei também.
Sairei de mim para não mais voltar
E me desprenderei
E voltarei para a casa de onde vim
Pois não terei mãos para escrever
Nem olhos para olhar-me
E ver-me refletido no teu mar.
Quando eu me deixar
Tu me terás deixado também.
E quem sabe lá na terra do não-sei
Haveremos de cruzar um outro olhar.
Nagib Anderáos Neto
Primavera 2003
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Drummond
Procurei Drummond na prateleira
E não o encontrei. Morreu ontem?
Anteontem?
Os jornais dizem que foi
Sem cruzes e nem igrejas. Acho que o deixei
Em Campinas com Baudelaire
Na estante que não tenho.
Procurei Drummond na memória
E o encontrei na aula de português;
Num José que levou consigo o seu segredo
(Degredo voluntário e inesperado)
E passou a habitar o Olimpo
Das prateleiras misteriosas e sedentas
De verdade.
Encontrei uma poesia no caminho.
Era um caminho, era um caminho
A poesia que eu encontrei.
No caminho havia uma poesia.
Quem parou para olhar
Admirou a poesia que eu encontrei.
Nagib Anderaos Neto
www.nagibanderaos.com.
E não o encontrei. Morreu ontem?
Anteontem?
Os jornais dizem que foi
Sem cruzes e nem igrejas. Acho que o deixei
Em Campinas com Baudelaire
Na estante que não tenho.
Procurei Drummond na memória
E o encontrei na aula de português;
Num José que levou consigo o seu segredo
(Degredo voluntário e inesperado)
E passou a habitar o Olimpo
Das prateleiras misteriosas e sedentas
De verdade.
Encontrei uma poesia no caminho.
Era um caminho, era um caminho
A poesia que eu encontrei.
No caminho havia uma poesia.
Quem parou para olhar
Admirou a poesia que eu encontrei.
Nagib Anderaos Neto
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Emily Dickinson
A palavra morre
Quando é dita,
Alguém diz.
Eu digo que ela começa
A viver
Naquele dia.
tradução de Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br
Nagib Anderáos Neto
Quando é dita,
Alguém diz.
Eu digo que ela começa
A viver
Naquele dia.
tradução de Nagib Anderáos Neto
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Nagib Anderáos Neto
Marcadores:
Emily Dickinson,
Palavra,
Vida
Revisão
Dias que não terminam, noites que não começam.
Verão. Mundo externo enlouquecido, mundos internos desguarnecidos. Prédios alegres serão cobertos pelo verde, pela terra, pelo vento.
Esquecidos, desmoronados, obras passageiras de homens passageiros. A grande cidade, a grande crueldade, tudo esquecido: o papel, a letra, o jornal, o som, a máquina, a estupidez.
“A poesia não terá cantado em vão!”, ecoa o trovão vindo dos Andes, do sul, do antes e do depois dos confins da América perdida.
(Gosto de neve, de pisco, vulcão, cachoeira, truta. Tanta luta, tanta febre, tanta sujeira, tanta emoção!)
“A poesia não terá cantado em vão”, ecoa o trovão.
Apesar da TV (sempre a mesma coisa lerda), dos jornais (sempre a mesma coisa imposta), do mau cheiro, dos predicadores, dos impostores, dos idiotas, dos agiotas, dos sérios homens de podres negócios, dos equinócios, dos políticos.
“A poesia não terá cantado em vão!” ecoa o trovão que atravessou dias e noites e reverberou muito além do hiato decaído desses momentos.
Tênue é a linha que nos separa da idiotice total.
E como tal, melhor seria nos afastarmos dessas mesas
de bar nessas espichadas tardes de verão.
A América esquecida reclama a luta dos construtores de palavras, sílabas, períodos, histórias, personagens.
Tantos leitores que não sabem ler, tantos espíritos encarcerados, escravizados, mesmo os mais letrados, no presídio das ilusões, das grandes ambições, dos grandes sonhos de poder.
Podermos dizer no futuro que fomos atores desta grandiosa epopéia Americana, soerguedores da decadência que nos tem envilecido e empedernido – seremos nós – silvícolas de um continente verde e branco, sul!, fusão de raças, idéias e esperanças.
Novos espíritos, novos homens, novos rumos.
Os mundos de dentro deixarão de ser desguarnecidos e confundidos com os de fora e a voz do poeta ecoando singela por sobre a América querida repetirá, doce e ritmada, a síntese do destino que nos espera.
“Assim a poesia não terá cantado em vão!”
Extraído do livro Guardados Que Vivem www.nagibanderaos.com.br
Verão. Mundo externo enlouquecido, mundos internos desguarnecidos. Prédios alegres serão cobertos pelo verde, pela terra, pelo vento.
Esquecidos, desmoronados, obras passageiras de homens passageiros. A grande cidade, a grande crueldade, tudo esquecido: o papel, a letra, o jornal, o som, a máquina, a estupidez.
“A poesia não terá cantado em vão!”, ecoa o trovão vindo dos Andes, do sul, do antes e do depois dos confins da América perdida.
(Gosto de neve, de pisco, vulcão, cachoeira, truta. Tanta luta, tanta febre, tanta sujeira, tanta emoção!)
“A poesia não terá cantado em vão”, ecoa o trovão.
Apesar da TV (sempre a mesma coisa lerda), dos jornais (sempre a mesma coisa imposta), do mau cheiro, dos predicadores, dos impostores, dos idiotas, dos agiotas, dos sérios homens de podres negócios, dos equinócios, dos políticos.
“A poesia não terá cantado em vão!” ecoa o trovão que atravessou dias e noites e reverberou muito além do hiato decaído desses momentos.
Tênue é a linha que nos separa da idiotice total.
E como tal, melhor seria nos afastarmos dessas mesas
de bar nessas espichadas tardes de verão.
A América esquecida reclama a luta dos construtores de palavras, sílabas, períodos, histórias, personagens.
Tantos leitores que não sabem ler, tantos espíritos encarcerados, escravizados, mesmo os mais letrados, no presídio das ilusões, das grandes ambições, dos grandes sonhos de poder.
Podermos dizer no futuro que fomos atores desta grandiosa epopéia Americana, soerguedores da decadência que nos tem envilecido e empedernido – seremos nós – silvícolas de um continente verde e branco, sul!, fusão de raças, idéias e esperanças.
Novos espíritos, novos homens, novos rumos.
Os mundos de dentro deixarão de ser desguarnecidos e confundidos com os de fora e a voz do poeta ecoando singela por sobre a América querida repetirá, doce e ritmada, a síntese do destino que nos espera.
“Assim a poesia não terá cantado em vão!”
Extraído do livro Guardados Que Vivem www.nagibanderaos.com.br
Sorriso
Um sorriso incontido no meio da noite.
Não se soube se de alegria
Ou se de tristeza nervosa.
De uma coisa se tinha certeza:
Um sorriso incontido no meio da noite
Foi agasalhado por um poeta
E trabalhado
E lapidado
E transformado em
Poesia.
Primavera de 1966
Nagib
Uma homenagem à vida, ao passado e ao futuro.
www.nagibanderaos.com.br
Não se soube se de alegria
Ou se de tristeza nervosa.
De uma coisa se tinha certeza:
Um sorriso incontido no meio da noite
Foi agasalhado por um poeta
E trabalhado
E lapidado
E transformado em
Poesia.
Primavera de 1966
Nagib
Uma homenagem à vida, ao passado e ao futuro.
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Simone du Beauvoir
Au revoir, madame!
Deixas a Terra e todos que não te leram
Órfãos de teu juízo
E de teu esforço por penetrar o impenetrável.
Au revoir, senhora
Bela senhora do sonho existencialista que ninguém
Soube ao certo o que seria.
Deixas o rastro como o cometa.
Trajetória cíclica de quem parte
E certamente voltará.
Enquanto isto um caubói solta bombas por aí
E aqui
A Poesia do Pessoa
Reclama a vida, o sonho
E a existência perdida.
Au revoir, madame!
Algo novo principia.
Nagib Anderáos Neto
Extraído do livro Guardados Que Vivem
www.nagibanderaos.com.br
Deixas a Terra e todos que não te leram
Órfãos de teu juízo
E de teu esforço por penetrar o impenetrável.
Au revoir, senhora
Bela senhora do sonho existencialista que ninguém
Soube ao certo o que seria.
Deixas o rastro como o cometa.
Trajetória cíclica de quem parte
E certamente voltará.
Enquanto isto um caubói solta bombas por aí
E aqui
A Poesia do Pessoa
Reclama a vida, o sonho
E a existência perdida.
Au revoir, madame!
Algo novo principia.
Nagib Anderáos Neto
Extraído do livro Guardados Que Vivem
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Fernando Pessoa,
Simone du Beauvoir
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Para o Jovem Arthur
A vida é um dom divino.
O homem, um Deus em formação.
Cada homem, um pequeno Deus.
Cada pássaro, facho,
Alegría, um espetáculo de vida.
Todos eternos
Sempre viveremos no coração dos que nos amam
E nos de quem amamos.
A morte não existe.
Nagib Anderáos Neto
Janeiro 2011
O homem, um Deus em formação.
Cada homem, um pequeno Deus.
Cada pássaro, facho,
Alegría, um espetáculo de vida.
Todos eternos
Sempre viveremos no coração dos que nos amam
E nos de quem amamos.
A morte não existe.
Nagib Anderáos Neto
Janeiro 2011
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