terça-feira, 26 de outubro de 2010

Sahy

A Barra do Sahy, eu já estive ali.
O mar, a fogueira, a montanha.
Andava livre pela praia sem compromissos.
Eu era parte da Natureza
Noutro tempo, noutro ritmo.
Continuo ali, apesar de estar aqui.
Naquele tempo eu sonhava,
Não sabia que poderia pensar,
Não sabia que poderia criar.

Primavera de 2010

Verso na Areia

Sobrou-me apenas um
verso escrito na areia
que a maré não apagou,
mas me recordo dele,
e isso me basta.

25/10/2010

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Um Exemplo de Alegria

Minha mãe tem 91 anos. Caminha todas as manhãs cerca de uma hora pelas ruas do bairro com a acompanhante. De onde vem tanta saúde? É que colocavam um pouquinho de vinho na minha mamadeira, ela brinca. É portuguesa, veio muito pequena. Nem sotaque tem.

Quando dona Olga estava com 68 anos, levei-a para conhecer a aldeia, Edral, ao norte, perto de Bragança. Do alto de uma enorme montanha se divisava grande parte de Portugal setentrional. Gente muito clara, pastores- dizem que descendentes dos celtas - vinhas, passas dependuradas nos forros de madeira das simples e confortáveis casas de pedra.

Alguns parentes que a viram nascer estavam ali. A emoção foi grande. Pensaram que viéramos reclamar herança. Não primo, viemos para conhecê-los. E foi festa por todo um dia regada a vinho, iguarias e alegria.

Depois a despedida e nunca mais. Ficaram a lembrança e a fotografia da emoção.

Muitos parentes certamente não estão mais por aqui, mas a saudável anciã continua a nos observar, a nos vigiar e ensinar a ser felizes, otimistas e sorrir sempre, seguir caminhando alegremente por esta infindável e formosa estrada da vida.

Nagib Anderáos Neto

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

BANZAI

A surpresa chegou numa caixinha de Sedex com uma carta do amigo Walter Ono. Uma dose do elixir da longa vida e um exemplar de Fup, o livrinho de Jim Dodge que iria contar a história de uma pata diferente.

“Pra amigos não precisa se explicar. Eles entendem... Há vinte anos venho desenvolvendo um elixir da longa vida. Dos panteístas, no meio da floresta, servi o amargo sumo da Terra. Dancei premonições de Xamãs com raios caindo sobre suas cabeças arrepiadas. Ouvi polímatas sublimarem sabores do conhecimento destilados em cadinhos de tantas coisas, com tantos odores que guardei nas dobras da memória.”

“Longevo só, não tem graça. A vida com os amigos, sim. Aqui vai uma dose do elixir da longa vida...”

“Fly! Comprovar é muito demorado, mas posso afirmar que a nossa sobrevida vai até o último sussurro do derradeiro amigo. Banzai! (Walter Ono. Primavera chegando no ano da graça de dois mil e sete).”

O presente chegou numa sorridente manhã de Setembro. Pensei que Deus falara comigo através das palavras do Walter. Mas Ele é assim mesmo, está tão presente e – por nossa falta de inteligência – tão ausente.

Na Natureza, em nossos corações, e especialmente representado em nossos amigos.

Agora eu leria a história de Fup, a pata diferente, que mesmo antes de conhecê-la me trouxera uma lição difícil de esquecer.

E o elixir ficaria ali no criado-mudo a me falar da amizade, da eternidade, da sobrevida e do derradeiro amigo.
Banzai!
Nagib Anderáos Neto
www.twitter.com/anderaosnagib

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Denise

Falta aos meus olhos o teu olhar
Que em tudo vê o mar.
Falta ao teu olhar o meu olhar
Que sem te ver
É capaz de entrever,
De enxergar através da penumbra
E se elevar.

Se a nossa missão foi sonhar,
Fizemos de tudo, fizemos o melhor.
Alçamo-nos,
E no sonho impossível
Conseguimos voar.

Nagib
Primavera de 2010
Para a minha sobrinha que é como uma filha.
Por detrás destes poucos versos,
Meu sincero e sentido amor.