Escondido aqui, nunca totalmente escondido. Alguém me encontrará, interromperá meus pensamentos, me fará postergar a idéia, o verso, esta retroconstrução. Sempre alguém, sempre alguém. A vida é construção, interrupção, solidão.
Liberar-se do cíclico, alçar-se com o coração. O outro é imagem especular e instrutiva.
Uma vida longa assim traz suas
conveniências. O inconveniente é o esquecimento.
Há os que rastejam e os que voam. Entre mim e eles,
ensaio.
É chegada a hora de cantar.
Agora, afinada a voz,
hei de cantar. Ouçam-me os surdos,
vejam-me os cegos.
Agora que aprendi a voar,
eu vou cantar.
Não sou nem a cigarra, nem a formiga,
sei que sou humano e vou cantar.
Uns passam a vida contando os seus dinheiros.
Outros, olhando-se em espelhos.
Jogo tudo fora pra voar,
E se faltar-me asa,
Vou cantar.
E se faltar-me a voz,
eu vou sonhar...
Primavera de 2009. A meu filho André.
Nagib Anderáos Neto
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Adeus a Mario Gattai
Minhas mãos imóveis
Sentem vontade de gestos que nem sei...
Talvez saudade do palco,
Talvez da infância.
Mario Gattai já se vai
Chamando minha Cinique,
E nossos beijos interrompidos,
Transformados em ouvidos,
Saberão o veredito das igrejas
E dos partidos,
Do socialismo e do capitalismo.
Talvez a Ópera
Talvez a praia
Talvez o vinho
Talvez um almoço no domingo.
Guardo em minha casa as tuas pinturas,
Nos meus filhos os teus tiques,
E Cinique,
Que te roubei um dia sem saber,
Te guardarei
Até que voltes,
Até que retornes pra viver.
Nagib Anderáos Neto
28/05/84
Sentem vontade de gestos que nem sei...
Talvez saudade do palco,
Talvez da infância.
Mario Gattai já se vai
Chamando minha Cinique,
E nossos beijos interrompidos,
Transformados em ouvidos,
Saberão o veredito das igrejas
E dos partidos,
Do socialismo e do capitalismo.
Talvez a Ópera
Talvez a praia
Talvez o vinho
Talvez um almoço no domingo.
Guardo em minha casa as tuas pinturas,
Nos meus filhos os teus tiques,
E Cinique,
Que te roubei um dia sem saber,
Te guardarei
Até que voltes,
Até que retornes pra viver.
Nagib Anderáos Neto
28/05/84
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Ocidentes
Lá para onde me levam tais pores – de – sol
além das areias e das ondas
no ocidente impossível onde sonho encontrar-me,
talvez com outro nome, numa nova vestidura,
onde eu seja prescindível e possa olhar para outros ocidentes,
Lá na renovada e grandiosa Pasárgada,
entender-nos-emos através do olhar,
e cada sorriso será um aviso
a nos lembrar que existimos.
Deus não escreve livros,
escreve homens e Universos.
Homens escrevem versos
e constroem pontes e fazem guerras.
Espero-me no ocidente para lembrar com tristeza e alegria
que se fizéramos guerras e sofrêramos,
escrevêramos livros que nos confortariam no poente,
na profundez da noite sem-fim.
Nagib Anderáos Neto
2005-12-23
www.nagibanderaos.com.br
além das areias e das ondas
no ocidente impossível onde sonho encontrar-me,
talvez com outro nome, numa nova vestidura,
onde eu seja prescindível e possa olhar para outros ocidentes,
Lá na renovada e grandiosa Pasárgada,
entender-nos-emos através do olhar,
e cada sorriso será um aviso
a nos lembrar que existimos.
Deus não escreve livros,
escreve homens e Universos.
Homens escrevem versos
e constroem pontes e fazem guerras.
Espero-me no ocidente para lembrar com tristeza e alegria
que se fizéramos guerras e sofrêramos,
escrevêramos livros que nos confortariam no poente,
na profundez da noite sem-fim.
Nagib Anderáos Neto
2005-12-23
www.nagibanderaos.com.br
Clarice
Lembra-me Clarice que resistira à morte,
Não por temê-la, mas para não separar-de dos queridos filhos e netos.
Em sonho dissera estar bem; ao meu filho,
Que aprendera a voar.
É capaz de ter descoberto
Que mais viva do que nunca
Nos percebia desamparados e sós.
Ela que o nome trouxe a luz,
Na eloquência do convívio nos disse que viver é bom,
Mas conviver melhor,
Como reler, reviver.
Todos os homens um só
Todos os livros também.
Tudo se confunde em Deus,
Tudo se mistura em nós.
Setembro 2008
Nagib Anderãos Neto
Não por temê-la, mas para não separar-de dos queridos filhos e netos.
Em sonho dissera estar bem; ao meu filho,
Que aprendera a voar.
É capaz de ter descoberto
Que mais viva do que nunca
Nos percebia desamparados e sós.
Ela que o nome trouxe a luz,
Na eloquência do convívio nos disse que viver é bom,
Mas conviver melhor,
Como reler, reviver.
Todos os homens um só
Todos os livros também.
Tudo se confunde em Deus,
Tudo se mistura em nós.
Setembro 2008
Nagib Anderãos Neto
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Luz
Brilha luz intensa brilha,
Me reflito e me repito
Em seu olhar vago e distante.
Vagamente me procura,
Docemente sem me achar,
Luz tão forte intensa brilha,
Ilumina a minha ilha.
Me reflito e me repito
Em seu olhar vago e distante.
Vagamente me procura,
Docemente sem me achar,
Luz tão forte intensa brilha,
Ilumina a minha ilha.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Consciência
O lugar onde descansarei
é um recanto da memória
para recordar a trajetória
da viagem pelas terras do sem-fim.
Lá não há alegria ou sofrimento
e a laje fria do telhado
não é mais que o zinco de uma morada invisível,
hiato incompreensível dos mortais,
estação de revivescência da própria história,
pois lá o tempo não conta,
apenas as sensações desfilando diante dos olhos,
detalhes bem guardados no eterno cofre da consciência.
Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br
é um recanto da memória
para recordar a trajetória
da viagem pelas terras do sem-fim.
Lá não há alegria ou sofrimento
e a laje fria do telhado
não é mais que o zinco de uma morada invisível,
hiato incompreensível dos mortais,
estação de revivescência da própria história,
pois lá o tempo não conta,
apenas as sensações desfilando diante dos olhos,
detalhes bem guardados no eterno cofre da consciência.
Nagib Anderáos Neto
www.nagibanderaos.com.br
domingo, 21 de junho de 2009
Rosa Foto
Rosa caída,
Imêmore e fanada,
Alma pura e colorida
Abandonada nesta estrada.
Flor rediviva,
Luz divina, luz sagrada
Por minhas mãos velhas e cansadas,
Emoção fotografada.
Nagib Anderáos Neto
2009
Imêmore e fanada,
Alma pura e colorida
Abandonada nesta estrada.
Flor rediviva,
Luz divina, luz sagrada
Por minhas mãos velhas e cansadas,
Emoção fotografada.
Nagib Anderáos Neto
2009
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